quarta-feira, agosto 30, 2006

Criação de Alberto Caeiro

«... lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro – de inventar um poeta bucolico, de especie complicada, e apresentar-lh’o, já não me lembro como, em qualquer especie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira – foi em 8 de Março de 1914 – acerquei-me de uma commoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa especie de extase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triumphal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um titulo, “O Guardador de Rebanhos”. E o que se seguiu foi o apparecimento de alguem em mim, a quem dei logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da phrase: apparecera em mim o meu mestre.»

Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 09, 2006

Se alguém bater um dia à tua porta

"Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.

Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta!"

Fernando Pessoa

terça-feira, agosto 08, 2006

A nossa Herança!

Herdámos uma grande casa,
a grande casa do Mundo.
Na qual devemos conviver.

Negros, brancos,
ocidentais e orientais,
hebreus, não hebreus
católicos e protestantes,
muçulmanos e hinduístas.

Uma família que, injustamente, está dividida
por ideias, culturas e interesses.

Dado que já não podemos viver separados.
Devemos aprender a conviver em paz.

TODOS OS HABITANTES DO MUNDO SÃO VIZINHOS.


Martin Luther King

segunda-feira, agosto 07, 2006

Desabafo de um coração apertado!

Sem pressa partiu cheio de esperança e entusiasmo. Pelo caminho a vontade esmoreceu e com ela a nitidez da chegada. A cada passo o espectro da sombra de um louco a perturbar as emoções e a causar medo...

Com ele leva uma vida feita de sonhos, uma humanidade cansada e as feridas do tempo cruel. Os seus olhos, marcados pela tristeza, olham no vazio a cada passo que dá. Mil pedaços de nada preenchem o seu coração oprimido pela aridez do chão que pisa.

Lá vai, caminha desmotivado rumo a um lugar que sabe que não existe, procura uma certeza que o aprisiona por ser incerta e adormece no meio da estrada sem a vontade de acordar para retomar o caminho.

Em busca de descanso apenas, esbarra com uma vida repleta de felicidade que o procura em sonhos durante o sono.... mas ele apenas queria dormir... já lhe faltava a força para voltar a acreditar.


Esperança Martins

sexta-feira, agosto 04, 2006

Isto é mesmo divagar...

Bem, a ausência de textos meus, alguns que até parecem muito pessoais (se forem realmente sinceros), prende-se com o facto de estar concentrada no meu novo livro. Mas numa vaga poderá surgir alguma coisa... quem sabe! Depende do tempo, sempre tão incerto e escasso. Tantos planos e na prática o cansaço apodera-se de mim, aniquilando os restos de energia.

Amanhã tenho de me pôr a pé mais cedo, sabe-se lá porquê. Os sonhos e as ilusões comandam a vida. Até que se desfaçam em desilusões, até cairmos na realidade, até aterrarmos.

Amigas, nada está perdido. Acreditem que a solução está em nós mesmas. A força de que precisamos, a vontade em continuar a lutar mesmo que seja por sonhos absurdos... isso está cá dentro e ninguém nos pode tirar. E depois há a maravilhosa paisagem da natureza também humana. Um gelado delicioso, uma boas gargalhadas e tudo parece ficar bem. E fica, sem esses momentos únicos de diversão e lazer que seria da nossa vida? Uma miséria.

Sabem a liberdade é uma coisa tão... fundamental. Que prazer supera usarmos os nossos próprios neurónios? Não depender de ninguém para falar ou dar a resposta certa. Imagina se vivessemos numa ditadura. Mais frequente, numa relação ditatorial. Oh, não podias dizer nada sem que passasse primeiro na censura. Não te rias, conheço tantos exemplos. Sei bem do que estou a falar. Talvez infelizmente.

Sim, amigas, eu sei dessa treta toda e só não vos apresento estatísticas porque não vos quero desanimar. Vós não mereceis sofrer. Tendes o direito, a obrigação de lutar pelos vossos sonhos. Queria sonhar como vós, mas não consigo. A realidade aniquila esses sonhos. Resta-me um... ser feliz!

E se a liberdade me traz tanta felicidade, que valor seria superior à minha querida liberdade?
Não, desculpem mas não acredito. Neste caso sou como Tomé, só vendo... ou vivendo.

Isto tudo a propósito da minha concentração no meu livro e na falta de textos originais neste blogue... oh como não resisto a uma divagação...

E tu, devias pensar também em conquistar os outros... em geral, claro. Porque isso de estares habituado a que todos te façam a corte não te prepara para as adversidades. Um dia as coisas podem ser diferentes. Mas, sabes, tens toda a razão, há que ser rei enquanto houver monarquia, depois se vier a república tu lá arranjarás uma solução para sobreviveres. Desculpa, sou mesmo republicana por isso recuso-me a fazer-te uma vénia. E com tantos súbditos a ajoelharem-se perante ti, certamente nem te vais aperceber que preparo um golpe de estado para te tirar essas mordomias. Em último caso, se não assistir à revolução peço o exílio antes de fazeres de mim uma presa política. Ok, és um bom rei. Vaidoso mas inteligente. Devo exagerar. E a monarquia, bem lá no fundo do fundo, deve ter algo de positivo. Quem sabe se não és um novo D. Sebastião que vai surgir no nevoeiro para salvar a pátria?

Nessa nem vendo acreditaria... Há coisas que nem mesmo se as apalparmos nos parecem reais. É hora... de dormir. E também despertar para as injustiças. Oh, se este mundo fosse mesmo bom... se tipos como tu nunca chegassem a reis... se as pessoas estúpidas pensassem... e se os neurónios estivessem no coração...

Sandra Bastos

quinta-feira, agosto 03, 2006

O amor, quando se revela...

O amor, quando se revela...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...


Fernando Pessoa

Quando estou só reconheço

"Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.


E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.


Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida."

Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 02, 2006

Segue o teu destino

"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam."

Ricardo Reis

Assim se escreve em bom português!!!

Preciosismos da língua
É possível que o leitor esteja a ler este artigo agora na sua cama, com a ajuda dos seus nasóculos e à luz suave de um lucivelo. Os artigos escritos pelos alvissareiros misturam-se, harmoniosamente, aos preconícios que louvam as virtudes de sortidos produtos. Está calor neste final de primavera, e decerto o nosso leitor não retira há muito tempo da sua gaveta o focale que lhe aquece o pescoço no frio. E provavelmente terá reparado como é grande, nos últimos tempos, o número de ludâmbulos que, vindos de outros Estados e até de outros países, se abalam a conhecer os encantos da cidade.


Baseado em Castro Lopes – Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis

segunda-feira, julho 31, 2006

Já não me importo

"Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.


Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei.


Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,


Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,


Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.


E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz."


Fernando Pessoa

Cartas de Amor

"Todas as cartas de amor são
Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas)."

Álvaro de Campos

sexta-feira, julho 28, 2006

Liberdade

Liberdade


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.


O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!


Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.


O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

quarta-feira, julho 26, 2006

Um olhar consciente sobre a vida

Depois de algum tempo percebes a pequena diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

Aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

Começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e os olhos ao largo, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de ser traiçoeiro.

Depois de um tempo, aprendes que o sol queima se lhe ficares exposto por muito tempo. E aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e precisas de perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobres que se demora anos para se ganhar confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da tua vida.

Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que os bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que os teus amigos e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são levadas muito depressa, por isso, sempre devemos dizer às pessoas que amamos palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.

Descobres que se demora muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que não importa onde já chegaste, mas onde queres chegar, mas se não sabes para onde vais, qualquer lugar serve.

Aprendes que, ou controlas os teus actos, ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprendes que os heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática.

Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te vire as costas quando cais é uma das poucas que te ajuda a levantar.

Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários celebraste.

Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são enganos, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama do jeito que queres que ame, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, um dia serás condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperares que alguém te traga flores.

E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe...

Baseado em Shakespeare

terça-feira, julho 25, 2006

Para os amantes de Fernando Pessoa

Deixo aqui algumas das muitas obras de e sobre Fernando Pessoa.

Bibliografia
Do Poeta
Livros e colectâneas de poesia publicadas em vida do autor:

35 sonnets, by Fernando Pessoa, Lisbon, Ed. Monteiro Co.1918.

Antinous, a poem by Fernando Pessoa, Lisbon, Ed. Monteiro e Co., 1918.

English Poems I-II by Fernando Pessoa, Lisbon, Olisipo, 1921.

English Poems III, Lisbon, Olisipo, 1921. Mensagem, Parceria António Pereira, Lisboa, 1934.

Obras publicadas após a morte do autor:

Obra poética Obras Completas de Fernando Pessoa, col.«Poesia», Lisboa, Ed. Ática.

Poesias de Fernando Pessoa,1ªed. 1942

Poesias de Álvaro de Campos, 1ªed. 1944

Poemas de Alberto Caeiro, 1ªed. 1946

Odes de Ricardo Reis, 1ªed.1946

Mensagem, Fernando Pessoa, 3ªed. 1945

Poemas Dramáticos, de Fernando Pessoa, 1ªed 1952

Poesias Inéditas de Fernando Pessoa (1930-1935), 1ªed. 1955

Poesias Inéditas de Fernando Pessoa (1919-1935), 1ªed. 1956

Quadras ao Gosto Popular de Fernando Pessoa, 1ªed. 1965

Novas Poesias Inéditas, de Fernando Pessoa, 1ªed.1973

Poemas Ingleses publicados por Fernando Pessoa, 1ªed. 1974

Obra Poética de Fernando Pessoa, Lisboa, Publicações Europa-América, 1986

O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, edição fac-similada, Lisboa, Ed Dom Quixote, 1986

Primeiro Fausto, São Paulo, Edições Epopeia, 1986.

Obra em Prosa e Epistolografia:

A Nova Poesia Portuguesa, Lisboa, Inquérito, 1944

Cartas de Amor de Fernando Pessoa , Lisboa, Ed. Ática, 1ªed., 1978

Cartas de Fernando Pessoa a Armando Cortes Rodrigues, 3ªed., Lisboa, Livros Horizonte, 1985

Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões, 2ªed., Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1982

Da República, Lisboa, Ed. Ática 1ªed. 1979

Fernando Pessoa - O Comércio e a Publicidade, Lisboa, Ed. Cimevoz/Lusomédia, 1986.

Livro do desassossego por Bernardo Soares, Lisboa, Ed. Ática,1982, 2vol.

Obra em Prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1974.

Obras em Prosa de Fernando Pessoa, Lisboa, publicações europa-América, 1987.

Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Auto-Biográficas;

Textos de Intervenção Social e Cultural - A ficção dos Heterónimos;

Livro do Desassossego por Bernardo Soares, I parte;

Livro do Desassossego por Bernardo Soares, II parte;

Ficção e Teatro - O Banqueiro Anarquista, Novelas Policiárias, O Marinheiro e Outros;

A Procura da Verdade Oculta - Textos Filosóficos e Esotéricos;

Portugal, Sebastianismo e Qinto Império;

Páginas de Pensamento Político-I (1910-1919);

Páginas de Pensamento Político-II (1925-1935)

Páginas de Doutrina Estética, Lisboa, Inquérito, 1946

Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Lisboa, Ed. Ática 1ªed. S/d

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Lisboa, Ed. Ática, 1ªed.1966

Sobre Portugal, Lisboa, Ed. Ática ,1ªed.1979

Textos Filosóficos, Lisboa, Ed. Ática, 1ªed.1968, 2vol

Textos para Dirigentes de Empresas, Lisboa, Ed. Cinevoz, 1969

Textos de Crítica e de Intervenção, Lisboa, Ed. Ática, 1ªed. 1980

Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, Lisboa, Ed. Ática,1ªed.1980.

Obra em Prosa e Epsitolografia A Nova Poesia Portuguesa, Lisboa, Inquérito, 1944

Cartas de Amor de Fernando Pessoa , Lisboa, Ed. Ática, 1ªed., 1978

Cartas de Fernando Pessoa a Armando Cortes Rodrigues, 3ªed., Lisboa, Livros Horizonte, 1985

Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões, 2ªed., Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1982

Da República, Lisboa, Ed. Ática 1ªed.1979

Fernando Pessoa - O Comércio e a Publicidade, Lisboa, Ed. Cimevoz/Lusomédia, 1986.

Livro do desassossego por Bernardo Soares, Lisboa, Ed. Ática,1982, 2vol.

Obra em Prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1974.

Obras em Prosa de Fernando Pessoa, Lisboa, publicações europa-América, 1987.

Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Auto-Biográficas;

Textos de Intervenção Social e Cultural - A ficção dos Heterónimos;

Livro do Desassossego por Bernardo Soares, I parte;

Livro do Desassossego por Bernardo Soares, II parte;

Ficção e Teatro - O Banqueiro Anarquista, Novelas Policiárias, O Marinheiro e Outros;

A Procura da Verdade Oculta - Textos Filosóficos e Esotéricos;

Portugal, Sebastianismo e Quinto Império;

Páginas de Pensamento Político-I (1910-1919);

Páginas de Pensamento Político-II (1925-1935)

Páginas de Doutrina Estética, Lisboa, Inquérito, 1946 Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Lisboa, Ed. Ática 1ªed. S/d

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Lisboa, Ed. Ática, 1ªed.1966

Sobre Portugal, Lisboa, Ed. Ática ,1ªed.1979

Textos Filosóficos, Lisboa, Ed. Ática, 1ªed.1968, 2vol

Textos para Dirigentes de Empresas, Lisboa, Ed. Cinevoz, 1969

Textos de Crítica e de Intervenção, Lisboa, Ed. Ática, 1ªed. 1980

Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, Lisboa, Ed. Ática,1ªed.1980.


Sobre o Poeta:
ALCÂNTARA, Maria Beatriz Rosário de, Fernando Pessoa e o Movimento Futurista de Álvaro de Campos, Brasília, Ed. Fundação Waldemar de Alcântara, 1986

ALMEIDA, Luís Pedro Moitinho de, Fernando Pessoa e a Magia, Lisboa, 1959

ALMEIDA, Luís Pedro Moitinho de, Fernando Pessoa no Cinquentenário da Sua Morte, Coimbra, Coimbra Editora, 1985.

ANDRADE, João Pedro de, A Poesia da Moderníssima Geração, Porto, Livraria Latina, 1943.

ANTUNES, Manuel, Três Poetas do Sagrado: Pascoaes, Pessoa, Régio, Lisboa, 1957.

BELKIOR, Silva, Fernando Pessoa- Ricardo Reis, Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa, 1983

BERARDINELLI, Cleonice, Poesia e Poética de Fernando Pessoa, Rio de Janeiro, 1958.

BLANCO, José, Fernando Pessoa - Esboço de Uma Bibliografia, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983

CARNEIRO, Mário de Sá-, Cartas a Fernando Pessoa, Ed. Ática, Lisboa, 1958.

CENTENO, Yvette K., 5 Aproximações, Lisboa, Ática, 1976.

CENTENO, Y.K.; Reckert, S., Fernando Pessoa - Tempo, Solidão, Hermetismo, Lisboa, Livr.Moraes, 1978.

CENTENO, Yvette, Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética, Lisboa, Editorial Presença, 1985

COELHO, António de Pina, Os Fundamentos Filosóficos da Obra de Fernando Pessoa, Lisboa, Editorial Verbo, 1971, 2 vol.

COELHO, Jacinto do Prado, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, Lisboa, Editorial Verbo, 1963.

COELHO, Jacinto do Prado, Camões e Pessoa, Poetas da Utopia, Lisboa, Publicações Europa-América, 1984.

COSTA, Eduardo Freitas da, Fernando Pessoa- Notas a uma biografia Romanceada, Lisboa, Guimarães Editores,1951.

COSTA, Dalila Pereira da, A Nova Atlântica, Porto, Lello, 1977.

COSTA, Dalila Pereira da, O Esoterismo de Fernando Pessoa, Porto, Lello & Irmãos Editores, 1971.

DUARTE, José Afrânio Moreira, Fernando Pessoa e os Caminhos da Solidão, Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1968.

EDINGER, Catarina T.F., A Metáfora e o Fenómeno Amorosa nos Poemas Ingleses de Fernando Pessoa, Porto, Brasília editora, 1982.

FRANÇA, Isabel Murteira, Fernando Pessoa na Intimidade, Lisboa- Rio de Janeiro, Dom Quixote - Livraria Paisagem, 1987.

FREITAS, Eduardo da Costa, Fernando Pessoa- Notas a Uma Crítica Romanceada, Lisboa, Guimarães, 1951.

GUSMÃO, Manuel, O Poema Impossível - o Fausto de Pessoa, Lisboa, Ed. Caminho, 1986.

JAKOBSON, Roman; PICCHIO, Luciana, Os Oximoros Dialécticos de Fernando Pessoa, Edições 70, 1976.

JENNINGS, H.D., Os Dois Exílios, Porto, Fundação Engenheiro António de Almeida, Centro de Estudos Pessoanos, 1984.

KUJAWSKY, Gilberto de Mello, Fernando Pessoa, o Outro, S.Paulo, Centro Estadual de Cultura, 2ªed. 1973.

LENCASTRE, Maria José de, Fernando Pessoa- uma Fotobiografia, Lisboa, Ed. Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981.

LIND, Georg Rudolf, Teoria Poética de Fernando Pessoa, Porto, Inova, 1970.

LOPES, Teresa Rita, Pessoa por conhecer, Lisboa, Editoral Estampa, 1990, 2vol.

LOURENÇO, Eduardo, Fernando Pessoa Revisitado, Porto, Ed. Inova, 1973.

LOURENÇO, Eduardo, Fernando, Rei da Nossa Baviera, Lisboa, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 1986.

MOISÉS, Carlos Filipe, O Poema e as Máscaras, Coimbra, Livraria Almedina, 1981.

MONTEIRO, Adolfo Casais, Estudos sobre a Poesia de Fernando Pessoa, Rio de Janeiro, Ed. Agir, 1958.

MONTEIRO, Adolfo Casais, Fernando Pessoa e a Crítica, Lisboa, Inquérito, 1952.

MONTEIRO, Adolfo Casais, Estudos sobre Fernando Pessoa, Rio de Janeiro, Agir,, 1958; 2ªed., Lisboa, INCM, 1985.

NEMÉSIO, Jorge, A Obra Poética de Fernando Pessoa, Salvador, Bahia, Livr. Progresso Editora, 1958.

PADRÃO, Maria da Glória, A Metáfora em Fernando Pessoa, Porto, Ed. Inova, 1973.

PERRONE-MOISÉS, Leyla, Fernando Pessoa - Aquém do Eu, Além do Outro, São Paulo, Martins Fontes, 1982.

QUADROS, António, Fernando Pessoa, Lisboa, Ed. Arcádia, 1960, 2ªed. 1984.

QUADROS, António, Fernando Pessoa - Vida, Personalidade e Génio, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2ªed., 1984.

ROSA, Pradelino, Uma Interpretação de Fernando Pessoa, Lisboa, Guimarães Editores, 1971.

SACRAMENTO, Mário, Fernando Pessoa, Poeta de Hora Absurda, Lisboa, ed. Contraponto, 1958; 2ªed., Porto, Ed. Inova, 1970.

SEABRA, José Augusto, O Heterotexto Pessoano, Lisboa,Dinalivro, 1985.

SEABRA, José Augusto, Fernando Pessoa ou o Poetodrama, Instituto Nacional-Casa da Moeda, 1988.

SENA, Jorge de, O Poeta é um fingidor, Lisboa, Ática, 1961.

SIMÕES, João Gaspar, Vida e Obra de Fernando Pessoa, Lisboa, Livraria Bertrand, 1950; 2ªed.,revista s/d.

SILVA, Agostinho da, Um Fernando Pessoa, Lisboa, Guimarães Editores, 1988.

SIMÕES, João Gaspar, Vida e Obra de Fernando Pessoa - História de Uma Geração,1ºed., Lisboa, Bertrand, 1951, 2vol.; 4ªed., 1980.

SIMÕES, João Gaspar, Fernando Pessoa- breve história da sua vida e da sua obra, Lisboa, Difel,1983.

SOUSA, Maria Leonor Machado de, Fernando Pessoa e a Literatura de Ficção, Lisboa, Ed. Novaera, 1976.

VERNEX, Jorge, A Maçonaria e Fernando Pessoa, Porto, Ed. Além, 1953.
BOAS LEITURAS!!!

segunda-feira, julho 24, 2006

Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.


Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.


Alberto Caeiro

domingo, julho 23, 2006

Poema em linha recta

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."

Álvaro de Campos

Não, não é cansaço...

"Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais."

Álvaro de Campos

sexta-feira, julho 21, 2006

O que há em mim é sobretudo cansaço

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."


Álvaro de Campos

quinta-feira, julho 20, 2006

Sei que despertei e que ainda durmo. O meu corpo antigo, moído de eu viver diz-me que é cedo ainda… Sinto-me febril de longe. Peso-me, não sei porquê…
Num torpor lúcido, pesadamente incorpóreo, estagno, entre o sono e a vigília, num sonho que é uma sombra de sonhar. Minha atenção bóia entre dois mundos e vê cegamente a profundeza de um mar e a profundeza de um céu; e estas profundezas interpenetram-se, misturam-se, e eu não sei onde estou nem o que sonho.
Um vento de sombras sopra cinzas de propósitos mortos sobre o que eu sou de desperto. Caio de um firmamento desconhecido um orvalho morno de tédio. Uma grande angústia inerte manuseia-me a alma por dentro e, incerta, altera-me, como a brisa aos perfis das copas.Na alcova mórbida e morna a antemanhã de lá fora é apenas um hálito de penumbra. Sou todo confusão quieta… para que há-de um dia raiar?...
Custa-me o saber que ele raiará, como se fosse um esforço meu que houvesse de o fazer aparecer.
Com uma lentidão confusa acalmo. Entorpeço-me. Bóio no ar, entre velar e dormir, e uma outra espécie de realidade surge, e eu em meio dela, não sei de que onde que não é este…
Bernardo Soares

quarta-feira, julho 19, 2006

As minhas ansiedades

"As minhas ansiedades caem
Por uma escada abaixo.
Os meus desejos balouçam-se
Em meio de um jardim vertical.

Na Múmia a posição é absolutamente exacta.

Música longínqua,
Música excessivamente longínqua,
Para que a Vida passe
E colher esqueça aos gestos."

Fernando Pessoa