sexta-feira, julho 07, 2006
O Pastor Amoroso
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se não a vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."
Alberto Caeiro
Não é necessário formar professores de português!
Deixo à reflexão um pequeno texto que por casualidade me veio ter às mãos e acordou em mim a mágoa de me sentir inútil... mas quem corre por gosto não cansa... Contudo, quem espera por vezes desespera
"Tome-se uma mulher (ou um homem).
De preferência que saiba ler um pouco.
Sendo humano, também dá jeito.
Fora de época, use-se o robot.
Deve chegar para se ser professora de Língua Portuguesa." (Rafael Tormenta)
Esperança
quinta-feira, julho 06, 2006
O Amor
O sexo é só um acidente.
Pode ser igual
Ou diferente.
O homem não é um animal:
É uma carne inteligente,
Embora às vezes doente."
Fernando Pessoa
Autopsicografia
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração."
Fernando Pessoa
domingo, julho 02, 2006
Elinor Dashwood

"Elinor Dashwood, uma das heroínas de Sensibilidade e Bom Senso, está apaixonada, quase desde o início do livro, por Edward Ferrars, o irmão da sua horrível cunhada, Fanny. Edward é um jovem calado, tímido, discreto e inexperiente, que anos antes fora levado a ficar secretamente noivo de Lucy Steele, a sobrinha do seu tutor num colégio particular de Plymouth. Edward sabe há algum tempo que não está apaixonado por Lucy, mas por uma questão de honra sente-se obrigado a manter o noivado, apesar de se ter apaixonado por Elinor, que, a todos os níveis, é muito mais indicada para ele. Quando Elinor conhece Lucy, percebe de imediato que esta não está minimamente apaixonada por Edward, mas compreende que a honra de Edward o levará a cumprir a sua promessa de casamento; é incapaz de cometer a afronta de terminar o noivado e é também demasiado nobre para perceber que Lucy nada sente por ele. O único desejo de Lucy é casar com um homem – qualquer homem. Que ela julgue ter um rendimento suficiente para lhe permitir viver ao estilo a que ambiciona habituar-se.
Por conseguinte, tudo o que Elinor pode fazer é sentar-se e esperar, sem qualquer esperança para o futuro. Vive atormentada por Lucy, que pressente em Elinor uma rival e tudo faz para destruir as esperanças desta repetindo constantemente que ela, Lucy, está secretamente comprometida com Edward. Lucy, em boa verdade, está sempre com esquemas; torna-se amiga de Fanny e depois revela-lhe o noivado. Fanny reage muito mal e corre a contar à mãe. (…) [que o deserda a favor do irmão Robert]
[Lucy] foge agora com o abastado Robert, em vez de continuar presa ao pobretanas do Edward. Edward, um homem de Igreja, recebe uma casa paroquial do coronel Brandon, que acabará por casar com Marianne, a irmã de Elinor; e assim que Edward se vê livre de Lucy, e com um rendimento, embora não muito grande, que lhe permite sustentar uma mulher, corre a pedir a mão de Elinor em casamento, e pouco depois eles tornam-se «um dos casais mais felizes do mundo»"
Lauren Henderson, em "Amor e Sedução segundo Jane Austen"
quinta-feira, junho 29, 2006
Apontamento
Caiu pela escada execessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando em sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado parado exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem que ficou ali."
Álvaro de Campos
Marianne e Willoughby

"Na primeira visira das Dashwood a Willoughby, ela [Marianne] «dirigiu-lhe um tal olhar de aprovação que, durante o resto da visita, as atenções e palavras dele foram quase exclusivamente para ela [...] Discutia [...] sem timidez ou reserva. Depressa descobriram que o gosto pela música e pela dança era mútuo.» Ele concordava com todas as suas decisões, deixava-se contagiar pelo seu entusiasmo [...]
E Willoughby não só responde ao entusiasmo de Marianne como também cativa todas a pessoas em seu redor, interessando-se por elas, prestando-lhes atenção. Willoughby é o homem na sala de quem todos querem ser amigos, porque parece bastante franco e aprazível, com uma «imaginação rápida, espírito vivo, modos abertos e afáveis [...] Uma aparência encantadora, mas também um espírito naturalmente ardoroso[...]» A família de Marianne adorava-o.
O interesse de Willoughby e Marianne um pelo outro parece totalmente recíproco. «Quando ele estava presente, ela não tinha olhos para mais ninguém. Tudo o que ele fazia estava certo. Tudo o que dizia era brilhante.» E Willoughby está igualmente embevecido: «Se os serões no parque terminavam com um jogo de cartas, ele fazia batota contra si mesmo e todos os outros para dar-lhe a ela uma boa mão. Se o divertimento era a dança, dançavam juntos metade da noite; e quando não podiam fazê-lo, tinham o cuidado de nunca se afastarem muito um do outro, e quase não trocavam uma palavra com quer que fosse.»
Infelizmente, o romance de Marianne e Willoughby não acaba bem: ele casa com outra por dinheiro, apesar de estar apaixonado por Marianne. (...) [Willoughby] mais tarde diz a Elinor: «Os modos interessantes da sua encontadora irmã não podiam deixar de me agradar; e o procedimento dela para comigo foi, quase desde o início, muito amável. [...] Mas confesso que de início apenas me senti envaidecido com a afabilidade dela. [...] Quem poderia resistir a tal atracção, a tal ternura? Algum homem o poderia ter feito? Sim, sem dar por isso, fui-me sentindo cada vez mais atraído por ela.» "
Lauren Henderson, em "Amor e Sedução segundo Jane Austen"
terça-feira, junho 27, 2006
A Educação, a bateria e a especialização
terça-feira, junho 20, 2006
Mr e Mrs Palmer

Willoughby

Edward Ferrars: tímido e reservado

| "Enganado pela intriguista Lucy Steele quando ainda era estudante e demasiado novo para entender o que se passava, Edward Ferrars deixou-se enredar num noivado deveras precipitado. Agora que está apaixonado por Elinor Dashwood, reconhece a diferença que existe entre uma mulher como Lucy, interessada apenas em caçar um marido rico, e uma mulher como Elinor, que o ama por aquilo que é. A calma e controlada Elinor sabe que Edward tem um bom coração, mas que precisa de ajuda e incentivo para encontrar o caminho certo na vida, e está preparada para o auxiliar nessa tarefa. A profissão de vigário de aldeia é perfeita para Edward, que não tem qualquer desejo de se distinguir, mas apenas anseia por uma vida calma junto da mulher que ama. O seu sentido de honra não lhe permite romper o noivado com Lucy, por muito que o deseje fazer, e este seu comportamento está de acordo com a moral da época.Todavia, quando Lucy foge [acho que autora quer dizer casa] com o irmão de Edward, o caminho fica livre para Edward e Elinor. Assim que se vê livre do seu compromisso, apressa-se a pedir Elinor em casamento. Embora tímido, é capaz de perseguir aquilo que deseja e é com grande felicidade que Elinor o aceita." Lauren Henderson, em "Amor e Sedução segundo Jane Austen" |
Willoughby: demasiado bom para ser verdade

Elinor: autodomínio

"Elinor procede da forma mais acertada. Consciente da delicadez económica da sua situação - Elinor não tem dinheiro, ao passo que o homem que ama, Edward Ferrars, não tem emprego e depende inteiramente do dinheio que a sua controladora mãe lhe dá -, sabe que é muito improvável que alguma vez possam casar. Assim, mantém silêncio quanto aos seus sentimentos.
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Marianne: a romântica incurável

"Marianne lança-se de braços abertos ao amor que sente pelo formoso e encantador Willoughby na segunda vez que o encontra, e a sua paixão, em conjunto com a sua beleza e encantos, é o suficiente para que ele se apaixone também por ela.
Marianne quer que todo o mundo saiba do seu amor. Não aprendeu ainda as difíceis lições da discrição e da prudência.
A fim de sermos justas para com ela, temos de admitir que a princípio Willoughby encoraja-a a lançar a cautela para trás das costas, mas assim que ele parte abruptamente para Londres, sem lhe fazer a proposta de casamento que ela, com razão, esperava, Marianne devia ter-se retraído, resguardado as suas emoções e protegido a si mesma. Pelo contrário, lança-se imprudentemente de cabeça em direcção ao abismo, de coração aberto, e sofre uma catastrófica rejeição, que acaba quase por ser a sua morte."
Lauren Henderson, em "Amor e Sedução segundo Jane Austen"
Coronel Brandon: a paciência

"Pobre coronel Brandon, perde a primeira mulher por quems e apaixona e depois tem de esperar por Marianne ao longo de todo o seu drama com Willoughby!
Por fim, a sua constância é recompensada, bem como o seu tacto. O coronel Brandon é inteligente e sensível o suficiente para não pressionar Marianne quando a vê fragilizada ou ainda apaixonada por outro homem.
Espera pacientemente até que ela esqueça Willoughby o mais que possa. É uma excelente lição para todas nós. A paciência é a chave para a felicidade."
Lauren Henderson, em "Amor e Sedução segundo Jane Austen"
"Amor e Sedução segundo Jane Austen"

| Descobri mais um livro sobre Jane Austen, mas este é diferente, não é mais um romance ou uma crítica literária, é apenas uma forma curiosa de interpretação das obras de Austen. O título é simplesmente sugestivo "Amor e Sedução segundo Jane Austen", a autora é Lauren Henderson. O título não engana, o conteúdo fala mesmo de amor e sedução, com conselhos inspirados nos romances de Jane Austen, particularmente no comportamento das principais personagens. O que se pode "aproveitar", neste contexto (para este blog), são os retratos que Lauren Henderson faz de algumas personagens, e é só nisso que me vou concentrar. O resto são reflexões pertinentes para mulheres apaixonadas (ou desesperadas). Para "abrilhantar" estes comentários vou incluir algumas imagens do filme de Ang Lee (Sense and Sensibility) |
terça-feira, junho 13, 2006
Triste fado!!
eram barcos e barcos que largavam
fez-se dessa matéria a nossa vida
marujos e soldados que embarcavam
e gente que chorava à despedida
ficámos sempre ou quase ou por um triz
correndo atrás das sombras inseguras
sempre a sonhar com índias e brasis
e a descobrir as próprias desventuras
memória avermelhada dos corais
com sangue e sofrimento amalgamados
se rasga escuridões e temporais
traz-nos também nas algas enredados
e ganhou-se e perdeu-se a navegar
por má fortuna e vento repentino
e o tempo foi passando devagar
tão devagar nas rodas do destino
que ou nós nos encontramos ou então
ficamos uma vez mais à deriva
neste canto que é nosso próprio chão
sem que o canto sequer nos sobreviva
Letras do Fado Vulgar
Vasco Graça Moura
1942 Nasceu no Porto. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Ocupa actualmente um cargo directivo na Fundação Gulbenkian. Tradutor, ensaísta, poeta e romancista.
sábado, junho 10, 2006
Ainda a Trompa
Na trompa cada nota pode ser obtida através de um maior número de posições diferentes que nos outros metais. Ao contrário de todos os outros instrumentos que têm pistões, na trompa é com a mão esquerda que se actua sobre eles, porque continua a ser preciso introduzir a mão direita na campânula para obter os sons bouchés e para segurar o instrumento.
A sua extensão e de quase quatro oitavas, de Sol (-1) a Fa (4), embora as quatro notas mais graves sejam difíceis de obter, devendo ser evitadas pelos compositores em passagens rápidas.
A trompa está afinada em Fá. Para emitir as notas da região aguda, convinha que existisse uma trompa com o tubo mais curto: o modelo em Sib. Em 1935, apareceu no mercado o modelo moderno de trompa, que funciona como trompa em Fá e como trompa em Sib, alternadamente, sendo chamada trompa de afinação dupla. Para isso é dotada de uma 4ª Válvula que corta a ligação de uma certa extensão do tubo, fazendo com que o instrumento passe a tocar uma quarta acima.
A trompa natural continua ainda a ser usada, não só para a interpretação de música antiga mas também pelo seu extraordinário timbre, algo diferente do da trompa actual. Prova do grande interesse que este instrumento hoje desperta é o Concurso Internacional de Trompa Natural que se realiza em Bad Hzarzburb, na Alemanha.
A trompa pode usar uma surdina em forma de pêra e que pode ser de metal, madeira ou cartão permitindo obter um timbre diferente. Na trompa natural o instrumentista intrduzia a mão na campânula, tapando-a em aproximadamente ¼, ½ ou ¾ da sua área, de modo a obter sons fora da série dos harmónicos. Mas tapando com a mão obtém-se os chamados sons bouchés. Estes têm uma sonoridade muito diferente.
Outro efeito sonoro da trompa é o som cuivré, que se obtém com uma tensão maior que a normal e um sopro muito forte. Isto origina a vibração do metal, produzindo assim um som muito característico. Os sons cuivré são de grande efeito dramático.
Em relação à sonoridade da trompa convém salientar que ela é o único instrumento tratado como uma madeira e como um metal; na escrita para orquestra ela é associada principalmente aos metais, mas também às madeiras, com as quais liga perfeitamente; na música de câmara a trompa é membro permanente do quinteto de sopro, juntamente com a flauta, o oboé, o clarinete e o fagote. Além disso, a trompa resulta muito bem em combinações instrumentais bastante diversas; por isso, ela tem um status único entre os instrumentos da orquestra."
Trompas e Companhia
A Trompa
É um instrumento dificílimo de tocar: o trompista não só tem que ter um ouvido afinadíssimo e saber solfejar com precisão, como também tem que ter uma coordenação motora perfeita para controlar os músculos da mão direita e a própria respiração. Basta um pequeno erro para produzir uma desafinação.
O que distingue as madeiras dos metais é que as madeiras têm o som mais doce e mais delicado, enquanto os metais o têm mais poderoso e ribombante. Dizemos que os metais são a "artilharia pesada" da orquestra. O que torna a trompa tão especial, e dá ao instrumento seu charme irresistível é que, embora tenha a robustez dos metais, a trompa tem também muito da delicadeza das madeiras. O som doce e quente da trompa tem fascinado quase todos os compositores.
A trompa moderna se originou na trompa de caça (corno di caccia), um instrumento usado pelos caçadores na Idade Média. Quando grupos de homens saíam para caçar, eles levavam consigo este instrumento, para poderem chamar-se uns aos outros e se localizar no meio da floresta. No princípio, o instrumento era muito simples, não passando de um tubo metálico enrolado, com um pavilhão numa extremidade e o bocal na outra. Mais tarde, alguém descobriu que poderia produzir diferentes notas, controlando o fluxo de ar dentro do instrumento. No século XIX, um engenheiro alemão chamado Stoetzel teve a ideia de adicionar as chaves, tornando mais prático o manejo do instrumento. A trompa moderna tem uma extensão de três oitavas e meia e pode tocar todas as notas da escala cromática."
Wikipédia
Ligações:
Portal dos Trompistas
Ricardo Matosinhos
quinta-feira, junho 01, 2006
O guerreiro da humanidade
Olhas-me nos olhos e dizes desesperadamente:
- Chega de injustiças! Não posso mais ficar parado!
- Mas isso implica demasiados riscos…
- Alguém tem de fazer alguma coisa! Estou disposto a tudo! Mesmo a morrer!
Sais apressado, levando contigo a tua maior arma: a palavra. Viajas pela Ásia, pela América Latina e, por fim, África. Ao teu redor juntam-se multidões que te querem ouvir, não fosses tu o profeta da liberdade, a imagem da esperança num futuro melhor. Falas-lhes no fim da pobreza, da miséria, no livre acesso aos cuidados de saúde, à educação e à cultura. Não haverá mais fome, guerra, ignorância, violência, exploração… Carregas os maiores sonhos dos românticos, dos heróis rebeldes, dos artistas utópicos.
Em ti está a expressão dos grandes pensadores da história da humanidade, o coração dos apaixonados pelos ideais, pelas grandes causas e revoluções, o desejo daqueles que querem apenas ser felizes.
Mais do que o sonho de ter o teu amor, necessito mais da tua realização, da tua capacidade de servir grandes causas, de ver tem ti estampada a força de um guerreiro, a esperança de um mundo melhor.
Sandra Bastos